Benedito Calixto de Jesus


(Itanhaém, 14 de outubro de 1853São Paulo, 31 de maio de 1927) foi um pintor, desenhista, professor e historiador brasileiro.

 

Os Quatro Grandes da Pintura Paulista

No final de século XIX e início do século XX, quatro gigantes das artes plásticas se destacaram no cenário paulista: Almeida Júnior, Pedro Alexandrino, Oscar Pereira da Silva e Benedito Calixto.

 

Biografia

Ainda adolescente transferiu-se para Brotas, onde pintou seus quadros iniciais. Incentivado pelos amigos, realizou em 1881 sua primeira exposição, na sede do Correio Paulistano, em São Paulo. O insucesso da mostra fê-lo abandonar a capital e transferir-se para São Vicente, onde viveria praticamente o resto da existência e construiria grande parte de sua monumental obra.

Dois anos depois da estréia paulistana, surgiu para Calixto a oportunidade de estudar em Paris, a convite e às expensas de Nicolau José de Campos Vergueiro, Visconde de Vergueiro. O pintor, embora casado desde 1877, parte sozinho para a França, freqüenta o ateliê de Raffaelli, cuja arte não aprecia, e pouco depois transfere-se para a Academia Julian, como aluno de Boulanger, Lefebvre e Tony-Robert Fleury.

De Paris seguiu até Lisboa, onde por muito pouco tempo recebe aulas de Silva Porto e freqüenta o ateliê de José Malhoa.

 

Retorno

Voltando ao Brasil em 1885, Calixto é quase o mesmo de quando embarcou: imune à influências dos novos "ismos", impermeável ao fascínio cultural da capital francesa, permanece fiel ao seu estilo peculiar de pintura, agregando apenas técnicas novas que aprendera na viagem.

Quando descansa da pintura, é no passado histórico de São Paulo que se refugia, ou então se volta para as estrelas em sua paixão de astrônomo amador.

Esse amor à História seria benéfico ao artista, que, com escrúpulos de documentarista, chegaria a povoar de indígenas o quintal de sua casa a fim de, com mais fidelidade, pintar A Fundação de São Vicente, e que fincaria no mesmo local gigantesco mastro para ter uma idéia mais real de como seriam os velames agitados pelo vento nas naus de Martim Afonso de Sousa, quando aportou em 1532 a São Vicente.

 

A arte industrializada

Outro fator a caracterizar a arte de Calixto foi o elevado número de encomendas a que teve sempre de atender. Já Vítor Meirelles, em fins do século passado, referira-se ao "afogadilho com que pensa e à rapidez com que executa o que pensa", acrescentando que, vivesse acaso Calixto no Rio, tentaria corrigi-lo, "obrigando-o a pintar um trabalho grande, durante dois ou três anos."

Para os últimos anos de vida, sobretudo, transformara-se Calixto numa autêntica máquina de fazer quadros, como se pode observar desse trecho de uma carta remetida em maio de 1919 a um comerciante que se incumbia de lhe vender a produção:

Peço-lhe o favor de tomar nota das pessoas que querem outros quadros, a fim de que as mesmas se expliquem sobre o tamanho e o gênero que desejam, bem como o ponto ou lugar que devo reproduzir.

Na mesma carta, desencantado, acrescenta:

Pouco ou nada me adianta, agora que já estou velho, a opinião e conselho dos críticos sobre meus trabalhos. Desejaria apenas, que os jornais dessem notícias dos quadros vendidos, etc., e mais nada, pois não preciso de reclame.

 

Exposições coletivas

O isolamento em que viveu Calixto o impediu de participar com maior freqüência do Salão Nacional de Belas Artes, em cujos catálogos o seu nome surge apenas duas vezes, em 1898 (medalha de ouro de terceira classe) e em 1900. Também por isso não tomou parte, senão raramente, de certames internacionais, como a Exposição de Saint-Louis de 1904, na qual conquistou outra medalha de ouro. Em três participações em exposições coletivas, levou, com méritos, duas medalhas de ouro.

 

Pedrina, sua filha e clone

Mesmo morando em São Vicente, nunca deixou de ser prestigiado, como o comprovam os clientes e o avultado número de alunos, a começar por sua própria filha, Pedrina Calixto Henriques, cuja pintura aliás é subsidiária da sua, a ponto de muitas obras de sua autoria terem sido metamorfoseadas inescrupulosamente em originais do pai; tarefa aliás muito simples porque, além do mais, a artista assinava-se apenas P. Calixto, bastando um traço recurvo ao P inicial para que surgisse a assinatura mais prestigiosa. Atualmente, pela raridade, os quadros de Pedrina se tornaram tanto ou mais valiosos do que os de seu pai. Pedrina Calixto foi conceituada professora de pintura em Santos, tendo como alunas senhoras e moças da sociedade santista.

 

Pintura multifacetada

Calixto foi pintor de marinhas, paisagens, costumes populares, cenas históricas, religiosas e principalmente iconográficas. Se durante a sua vida a tendência era considerá-lo acima de tudo como pintor de história e religioso (gêneros esses nos quais deixou abundante produção, inclusive na Catedral de Santos e na Bolsa do Café, no Palácio Cardinalício do Rio de Janeiro, na Igreja de Santa Cecília em São Paulo e na Matriz de São João Batista em Bocaina), hoje costuma-se conceder bem maior importância às cenas portuárias e litorâneas, nas quais extravasa um caráter pessoal e profundamente sincero na abordagem dos diversos aspectos da natureza.

Os quadros em que fixou o embarque do café, no primitivo porto de Santos, ao lado do seu aspecto puramente documental, revestem-se de força expressiva, inclusive pela aparência bastante realista das embarcações; por outro lado, convém destacar certas cenas litorâneas ou ribeirinhas, em que a um desenho bem desenvolvido e a um colorido preciso aliam-se uma nítida preocupação atmosférica e um grande respeito ao meio ambiente.

Falecido em 31 de maio de 1927, em São Paulo, tendo sido porém enterrado no Cemitério do Paquetá, em Santos. Três anos antes, recebera do Papa Pio IX a comenda e a cruz de São Silvestre, em recompensa aos serviços prestados à Igreja com sua arte.

 

Exposição

Há uma exposição permanente “Benedito Calixto na Terra do Pinhal”, com amplo panorama da vida e obra do célebre pintor brasileiro e trabalhos originais realizados por ele para o antigo "Palácio Episcopal de São Carlos" e que hoje pertencem ao acervo da municipalidade sãocarlense.

A exposição é no Museu da "Estação Cultura" na Estação de São Carlos em São Carlos, de terça a sexta das 8h às 18h, e aos sábados, domingos e feriados, das 13h às 17h. A entrada é franca. O agendamento de grupos e escolas pode ser feito por telefone.

 

Galeria de pinturas

Praia do Itararé, s/d - óleo sobre tela, 37 x 75 cm - acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo

Fundação de Santos

José Menino e Ilha Urubuqueçaba

Santos em 1910

Barco no Porto de Santos

José Bonifácio

   

 


A Fundação Pinacoteca Benedito Calixto, entidade sem fins lucrativos, localizada em um antigo casarão em estilo eclético e interior em Art Noveau à Avenida Bartolomeu de Gusmão, 15, Boqueirão, Santos, São Paulo, tem uma exposição permanente de obras de Calixto. Seu acervo é de cerca de 50 obras do pintor - marinhas, paisagens, retratos e nus [desenhados na Academia Julian, Paris]. O local está aberto para visitação de terça a domingo das 14h00 às 19h00. Grupos ou escolas, que quiserem monitoria, podem ser agendados pelo telefone 0xx13 - 32882260 ou pelo e-mail bcalixto2@uol.com.br. A Pinacoteca conta também com uma biblioteca, com acervo de livros de arte, e um Centro de Documentação sobre Calixto e sua obra.
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