Santos

É um município brasileiro localizado no litoral do estado de São Paulo, sede da Região Metropolitana da Baixada Santista. Abriga o maior porto da América Latina, o qual é o principal responsável pela dinâmica econômica da cidade, além do turismo e do comércio. A cidade é sede do poder executivo paulista em todo dia 13 de junho Capital simbólica de São Paulo e também é sede de diversas instituições de ensino superior.

Santos possui uma forte economia graças ao turismo e ao Porto de Santos, o maior do Brasil. A cidade é a 33ª mais rica do país e seu PIB de R$ 8,76 bilhões  representa 0,41% de todo o PIB brasileiro.

Maior cidade do litoral de São Paulo , durante todo o ano, o turismo em Santos cresce em altos índices. O principal cartão postal do município são os 7km de praia. Em 2008, contava com 417.518 habitantes, segundo estimativas do IBGE.

 

Bairros

Oficialmente são os seguintes os bairros da parte insular agrupados geograficamente:

Orla marítima:
Aparecida, Boqueirão, Embaré, Gonzaga, José Menino, Pompéia e Ponta da Praia;

Área central e portuária:
Campos Grande, Centro, Encruzilhada, Estuário, Jabaquara, Macuco, Marapé, Paquetá, Porto Alemoa, Macuco, Paquetá, Ponta da Praia, Saboó, Valongo, Vila Belmiro, Vila Mathias, Vila Nova e Vila Rica.

Morros:
Monte Serrat, Cachoeira,  Santa Teresinha, São Bento, Penha.

Zona noroeste:
Alemoa ,Areia Branca, Bom Retiro, Caneleira, Jardim Castelo, Chico de Paula, Outeirinho, Jardim Piratininga, Rádio Clube, Saboó, Santa Maria, São Jorge, São Manuel e Vila Progresso.

Parte continental, são identificados os povoados: Quilombo, Sítio das Neves, Guarapará, Barnabé, Ilha Diana, Monte Cabrão, Trindade, Cabuçu, Iriri, Caruara (na divisa com Bertioga, que tem 3.500 habitantes e dispõe do CEP próprio 11200-990), além das mencionadas áreas de preservação ambiental da Serra do Mar.


Macuco

Quem diria? A Bacia do Macuco e as Casas Populares do Macuco não estão situadas no bairro que lhes deu o nome, mas no Estuário, bairro vizinho. Santos cresceu, foi preciso impor maior disciplina, e o Macuco perdeu áreas. Só para a Encruzilhada cedeu 25% de sua extensão, em 1968.

Dizem os mais idosos que houve época, pelas décadas de 30 e 40, que no mínimo 30% da população santista morava no Macuco. Tinha fama de ser o bairro que mais crescia no mundo e não era para menos: estendia-se desde o Entreposto de Pesca, na Ponta da Praia, abrangendo áreas na extensão das avenidas Afonso Pena e Pedro Lessa, até praticamente o Mercado Municipal, acompanhando a linha de armazéns da antiga Companhia Docas.

Este que já foi um dos maiores bairros de Santos hoje está reduzido ao trecho entre as avenidas Afonso Pena e Siqueira Campos, Rua Almirante Tamandaré, Avenida Rodrigues Alves, Rua Conselheiro João Alfredo até os muros da Codesp, ruas Xavier Pinheiro e Campos Melo. O mapa de Santos aponta os limites, mas quantos moradores não consideram as casas populares e a Bacia como parte integrante do Macuco? Afinal, como dissociar esses dois pontos, particularmente a Bacia, da sua história?

Na última década, o Macuco ganhou pouco mais de mil habitantes. Dos 17.569 moradores registrados pelo Censo de 1970, passou-se para 18.740 em 1980, conforme estimativa do Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado (PDDI), elaborado pela Prodesan (esta é a estatística mais recente de que se dispõe, porque o IBGE revelou, com base no último recenseamento, apenas a população total do Município, sem especificações por bairros).

A verdade é que a cada dia o Macuco acentua sua característica de suporte para as atividades do porto. A população procura outras áreas, onde não precise conviver com o trânsito de caminhões, armazéns, barulhentos depósitos de containers, firmas transportadoras e outras ligadas a reparos de equipamentos navais.

Para as 3.549 unidades residenciais registradas pelo Censo de 1970, havia 249 unidades comerciais, 194 de serviços e 102 industriais. Restam pouquíssimos daqueles chalés que dominavam a paisagem no começo do século, e mesmo os tradicionais sobradinhos geminados, de amplos porões e janelas e portas altas, que começaram a surgir a partir do final da década de 20, sucumbem aos poucos. As empresas e os corretores não dão sossego.

Campo Grande

Campo Grande, quem diria? De campo grande que era, transformou-se em um dos bairros mais populosos de Santos. São quase 30 mil moradores que testemunham a derrubada de centenários chalés para dar lugar a prédios luxuosos, no melhor estilo zona nobre. O comércio vibra com a chegada de mais gente, muitos acham que o bairro vive um surto de progresso.

Mas, a qualidade de vida é a mesma? Os moradores antigos, quando tentam fazer essa avaliação, recordam os tempos em que as ruas eram prolongamentos dos enormes quintais. Correria? Muito pelo contrário, basta saber que, há 40 anos, passava um carro de meia em meia hora pela Avenida Bernardino de Campos, quando não demorava mais.

As crianças vendiam rãs para conseguir alguns trocados e sempre encontravam um jeito de enganar o cobrador do bonde 17 e sair sem pagar. Quantas vezes não pularam do bonde andando?

O Campo Grande de hoje já não tem quadrilhas e campos de várzea, mas, em compensação, continua sendo o reduto do rei dos reis momos, Waldemar Esteves da Cunha. Não tem praças, pobre bairro, mas é lá, num barzinho, que chorões e seresteiros se reúnem e fazem um som para ninguém botar defeito. Problemas existem, mas os moradores descobriram a importância da união para resolvê-los e estão criando uma sociedade de melhoramentos. Querem dar vez e voz ao bairro.

Saboó

Conhecer o Saboó é ter uma surpresa em cada esquina. No bairro não moram nem três mil pessoas, mas nele se misturam modos de vida bem peculiares, como se tudo não fosse parte do mesmo todo. Há desde recantos onde as árvores emolduram o caminho e pássaros cantam, até outros onde os moradores convivem com o ronco dos motores dos carros. 

Nas imediações do cemitério residem os mais antigos, e quem quer conhecer um pouco da história do Saboó basta chegar no bar do Waldemar e conversar com qualquer um dos freqüentadores. Melhor ainda se estiver presente Ramon Ximenes, coveiro que enterrou Maria Féa e, em certa ocasião, se armou com um pedaço de pau para se defender de um defunto que chegou à noite, boca aberta e olhos arregalados.

Ele desfia muitos casos, conta façanhas de outras épocas, mas as crianças de hoje estão lá para provar que ninguém as passa para trás facilmente. Só dois exemplos: enrolam-se em jornais e assustam os mais incautos, e não demonstram nenhum receio de comer os doces deixados no túmulo da "santinha" Jandaia.

Problemas existem, e os mais sérios são enfrentados pelos posseiros do antigo terreno do IBC. Desde que a área passou para a Prefeitura, temem ser expulsos sem direito a nada. O prefeito anuncia a realização de obras, mas esquece as famílias que moram ali há mais de 30 ou 40 anos.


Embaré

Fotografias e recordações de antigos moradores é só o que restou do Embaré de outros tempos, quase desabitado, cheio de brejos e chácaras de japoneses. Hoje são quase 40 mil habitantes, espalhados entre a orla da praia, aristocrática e movimentada, e outras áreas mais simples e tranqüilas, onde crianças brincam nas ruas, homens conversam nos bares e mulheres se reúnem nos portões.

Por incrível que pareça, para os lados mais retirados, distantes da chamada zona nobre, ainda há muitos chalés e enormes quintais cheios de árvores. Mas, não se sabe por quanto tempo os donos dessas casas quase centenárias resistirão aos apelos dos corretores, em busca de espaços para a construção de novos edifícios. A transformação parece inevitável, dando novas feições a esse bairro que já mudou tanto nesse século. 

Quem diria? O mar já foi verdinho e tinha propriedades terapêuticas, segundo se dizia. Coisas que os antigos nem gostam de relembrar. O motorista de táxi número 1 de Santos, por exemplo, prefere falar sobre passageiros ilustres que transportou e contar como se livrou de assaltantes, que queriam fugir sem pagar. Melhor do que ouvi-lo reviver esses fatos é constatar o ambiente amigo que existe no "Chiqueirinho". Um bar tradicional.


Monte Serrat

Monte Serrat é o segundo mais alto monte de Santos. Em "Monte Serrat" há um bondinho que usa o sistema funicular, isto é enquanto um sobe o outro desce. O acesso pode também ser feito por escadaria com 415 degraus, que possui 14 nichos com representação da Via Sacra. Situado a 157 m de altitude, possibilita uma visão de 360º de toda a cidade. Marco no coração da cidade, no topo apresenta o Santuário de Nossa Senhora do Monte Serrat (padroeira de Santos, festejada no dia 8 de setembro). No século XIX lá existia um cassino que foi entretanto desativado. O morro levou este nome pois um dia Santos foi atacado por saqueadores e todos subiram ao morro e rezaram à Virgem de Monserrate para que os salvasse. A Virgem fez pedras caírem em cima dos saqueadores e hoje é a padroeira de Santos.


Marapé

Que estranho motivo leva os moradores do Marapé a amarem tanto o seu bairro, perguntaria alguém ao constatar o bairrismo da população. Mas o motivo não é tão estranho assim. Há muito o que ver, desvendar e aprender no Marapé.

Antigos moradores estão nos portões e esquinas, dispostos a reviver a história e reconstituir um passado que se perdeu. Sob a sombra que os prédios projetam em seus quintais, relembram a época em que chácaras de japoneses, capinzais e campos de várzea dominavam a paisagem. E, evidentemente, jamais esquecem do "glorioso" Bloco Dengosas do Marapé.

E o bonde 37? Ah, esse ganhou até música. E ninguém melhor para falar sobre bondes do que Romão Torres Toledo, o Cubano, que foi motorneiro durante 32 anos. Só vendo os velhinhos contarem os causos, sempre acompanhados de gestos e expressões! O ar de satisfação desaparece apenas quando recordam a tragédia de 1956: o Morro do Marapé desabou e dezenas de pessoas morreram. 

Ninguém se conforma também com a ameaça de expulsão que pesa sobre mais de 200 famílias de um núcleo encravado entre as ruas Carvalho de Mendonça e Heitor Penteado. São posseiros temerosos, mas dispostos a provar que têm direito à terra.

Talvez não haja em Santos um bairro mais amado por seus moradores do que o Marapé. Moradores que se orgulham de seu passado, suas tradições, seu folclore, enfim, sua história. As manifestações de carinho surgem por meio de palavras ou se concretizam em olhares e gestos. Os times de várzea e seus grandes jogadores, os tocadores de seresta, a misteriosa Cruz de Pedra, a Igreja de São Judas Tadeu, tudo é motivo de orgulho. No domingo, se comemora o Dia do Marapé. A data não pode passar em branco, e as faixas anunciando o acontecimento estão espalhadas por todos os lados. 

É hora de esquecer que a Companhia Imobiliária Atlântica ameaça expulsar posseiros e que o surgimento de prédios representa os primeiros sintomas de mudanças nos hábitos da população.


Gonzaga

Parece mesmo um lugar mágico. Tem de tudo nas ruas do Gonzaga, mais precisamente no trecho final da Avenida Ana Costa, onde se reúnem pessoas das mais variadas idades, filosofias, categorias, classes sociais e manias. Os resultados da diversidade são os mais inusitados: você tanto pode levar uma pedrada, sem saber quem o agrediu, ou deparar com alguém nu, em pleno inverno, andando displicentemente...

Pois é, todos querem ir ao Gonzaga, porque lá estão os melhores cinemas, livrarias, bares e restaurantes. Junta tanta gente que não há melhor lugar para se exibir a pele bronzeada ou o novo namorado. 

Prédios? Ah, esses ocupam ruas inteiras, e com isso o bairro fica na sombra e com a circulação de ar comprometida. E mais: estão sendo construídos edifícios só para instalação de escritórios, o que significa a consolidação enquanto centro prestador de serviços.

O comércio, que surgiu em função da população turística, se fortalece, e o presidente do Clube dos Diretores Lojistas, Paulo Sérgio Marques, não tem dúvidas: em dois anos, o Gonzaga superará o Centro em termos de volume de vendas. Diante disso, fica cada vez mais difícil acreditar que tudo começou em fins do século XIX, quando foi criada uma linha de bondes puxados a muares...


Chico de Paula

É sempre assim: quando o pessoal do Chico de Paula se junta para falar sobre seus problemas, não pára mais. E os casos mais tristes são contados pelos moradores da Vila Alemoa, uma favela que em seis anos ganhou centenas de barracos e quase 10 mil pessoas. Esse contingente chega a ser 15 vezes maior do que a população restante do bairro, calculada em 631 habitantes. Os barracos se multiplicam sobre o mangue malcheiroso e há muitos casos de crianças que foram roídas pelos ratos que infestam a área. 

Providências por parte da Prefeitura? Nem as mínimas possíveis, porque os favelados continuam reivindicando a reforma do Caminho São Jorge, único acesso à maior parte dos casebres. E pensar que o prefeito Paulo Gomes Barbosa fixou como prioridade máxima de sua administração a melhoria das condições de vida das camadas de baixa renda...

As duas únicas praças do bairro não são urbanizadas, e os dois clubes - Anglo e Serrano - não têm campo de futebol. Mas, em compensação, o antigo Matadouro passa por grandes reformas para se transformar em um centro educacional, assistencial e esportivo. O conjunto garantirá um pouco de lazer para os moradores, que recordam com saudades as boiadas seguindo pelas ruas, as chácaras e o Rio São Jorge (Rio do Matadouro, como eles chamam) cheio de peixe, marisco e caranguejo.



Ponta da Praia

Na última década, a população da Ponta da Praia simplesmente dobrou: dos 19.367 habitantes registrados pelo Censo de 1970, passou-se para 41.811 em 1980. De repente, muita gente começou a optar por esse bairro, que se distingue dos demais, entre outras coisas, por registrar temperaturas dois ou três graus abaixo da média de Santos. 

Isso mesmo, para quem não sabe, o vento que sopra do mar, de Sudeste para Leste, faz com que lá seja o lugar mais fresco de Santos. Muitos que ouvem isso logo atribuem conotação pejorativa ao termo fresco, já que se trata de um dos bairros mais valorizados da orla da praia e concentra dezenas de mansões.

Mas, deixando as brincadeiras de lado, ninguém pode negar que o bairro tem muitos atrativos: a simples vista do mar refletindo o sol é um espetáculo inesquecível, sem contar as cenas pitorescas que proporcionam os navios entrando e saindo do estuário e os barcos de pesca ancorados junto à Ponte dos Práticos.

Há ainda o Aquário, o Museu de Pesca, o ferry-boat, mas tem também lugares que não constam de cartões postais, como as favelinhas de Vila Ogarita. Nessa vila, os moradores dão exemplo de força e resistência, pois há mais de 40 anos lutam pela posse da terra. O problema vem se arrastando por anos e anos, e por causa de toda essa situação a vila não foi urbanizada.


Vila Belmiro

As dezenas de vielas, vilas e becos de Vila Belmiro garantem um ambiente que não se encontra em qualquer outro lugar de Santos. Grandes avenidas cortam o bairro e o tornam semelhante a outros, onde o corre-corre faz parte da rotina.

Mas, caminhando sem destino por aquelas dezenas de ruas, é possível constatar a rotina típica de pequenas cidades. E cenas que parecem ter desaparecido surgem para quem sabe apreciar a beleza de chalés com jardins, da descontraída brincadeira de pega-pega ou de um ninho repleto de filhotes de passarinho.

Esses detalhes são suficientes para provar que há muito mais o que se apreciar na Vila Belmiro do que o Estádio Urbano Caldeira, o Santos Futebol Clube e seus troféus. Por certo não se pode tirar os méritos do clube, porque afinal, graças a ele, a Vila ficou conhecida no mundo inteiro. Mas, o Santos e as lembranças das jogadas geniais de Pelé representam apenas uma parcela da vida e da história do bairro.

E quem se interessar em conhecer melhor seus sobradinhos geminados e poéticas vielas deve estar atento, porque o bairro apresenta sinais de futuras grandes mudanças: enormes prédios estão sendo construídos e começa a descaracterização de um estilo arquitetônico bem peculiar. Não demora muito e esses tais sobradinhos serão apenas lembrança do passado, como o são o bonde 27, os campos de várzea e as chácaras.

Nova Cintra Que coisa boa é passear pela Nova Cintra! Um mundo bem diferente nos reserva esse morro, que se distingue dos demais por possuir uma imensa planície. Uma planície cercada por morros, onde a poluição não chega e a beleza natural explode com força total. Lá tem lagoa, cachoeira, campos de várzea, moleques correndo sem shorts pelo meio da rua, pássaros cantando e tantas outras cenas diferentes que se chega até a duvidar que aquilo tudo faça parte de Santos.

Como em toda pequena cidade do Interior, a igreja fica bem no meio da praça principal e ao redor dela os moradores passeiam e os casais namoram. E, por incrível que pareça, na Nova Cintra ainda há alambiques da década de 20, onde se mantém a tradição de fabricar o famoso morrão, pinga das boas, que não incha os pés e nem afina os braços. Mas o morro tem seu lado ruim, porque a maioria das ruas não é asfaltada, não há rede de esgoto e as famílias convivem com valas malcheirosas e perigosas.

A situação de abandono só é pior na Vila Progresso, núcleo que cresceu desordenadamente sobre encostas inseguras. Sempre que chove mais forte, o pessoal da Vila reza ou sai correndo. A Prefeitura permanece indiferente a tudo que acontece por lá e só se lembrou do morro semanas atrás, quando deu um novo nome para a avenida principal. Mudou-o para Nagasaki, mas comprou briga porque ninguém gostou.


Vila Nova

Naqueles velhos tempos, de humilde a Vila Nova não tinha nada. Entre fins do século passado e início deste, as mais ricas e tradicionais famílias de Santos passaram a construir palacetes nas imediações do atual mercado Municipal. Surgiram casas ornamentadas com azulejos portugueses e espanhóis, grades e ferro trabalhado e até esculturas em tamanho maior que o natural. Só que a Vila Nova não se manteve opulenta e colorida porque a expansão comercial e do porto e as facilidades de comunicação com a praia acabaram gerando um novo conceito de "morar bem": os mais abastados se foram para a porção meridional da ilha.

Por uma cruel ironia, quem hoje habita as mansões são pessoas que mal têm o que comer. Oito, 10, 15 ou até mais famílias dividem a mesma residência, e a miséria se alia à promiscuidade. O contraste entre as construções e quem mora nelas é gritante e o casarão com ares de castelo da Avenida Conselheiro Nébias, 207, nos fornece um exemplo até sórdido: no portão, uma plaqueta anuncia que ali se vende chup-chup. As histórias que se ouve dos moradores seriam inacreditáveis se tudo à volta não comprovasse a veracidade. Por lá se vê até crianças de cinco anos ajudando no sustento da família - são meninos e meninas sem infância e sem o carinho de uma mulher como vovó Benedita, que abriga filhos de prostitutas, livrando-os de ficarem pelas ruas.


Vila São Jorge

Tudo aconteceu muito depressa: no início da década de 50, João Otávio Ribeiro decidiu recuperar e lotear umas terras que possuía na Zona Noroeste. Passados não mais de 30 anos, sobre os pântanos e matagais surgiu a Vila São Jorge, que já tem quatro mil habitantes e registra índice de ocupação em torno de 97 por cento.

E como todo bairro que se consolida, a Vila começou a crescer para o alto: junto às encostas do Morro da Nova Cintra, que corresponde à área mais retirada, foram edificados os 21 blocos de prédios que compõem o Conjunto Residencial dos Estivadores.  Embora as obras estejam atrasadas quase um ano, vários prédios estão em fase de acabamento e até o final do ano começarão a receber os moradores.

A chegada dessas novas pessoas aumentará a movimentação nesse bairro tranqüilo, de classe média baixa, que se orgulha de acolher em seus limites o primeiro engenho de cana-de-açúcar do Brasil, o de São Jorge dos Erasmos. 

Não se pode mesmo fazer pouco caso dessa vila de muitas e boas casas, cuja cotação, enquanto área residencial, subiu muito nos últimos anos. O lugar só não é melhor porque não resiste a chuvas mais fortes: já teve dia de os moradores saírem corridos de casa, porque as águas inundaram tudo. Fora isso, restam várias ruas sem asfalto, que viram lamaçais intransponíveis em períodos chuvosos.

Em pleno século XVI, já havia naquelas terras um pequeno povoado, ao redor do primeiro engenho de cana-de-açúcar do Brasil. Mas o que se conhece por Vila São Jorge passou séculos e séculos esquecida e só há 30 anos alguém cuidou de recuperar suas áreas pantanosas e loteá-las. Num curto espaço de tempo, tornou-se um dos melhores bairros da Zona Noroeste e, por incrível que pareça, 80 a 85 por cento dos moradores são proprietários de seus imóveis.


Pacheco e Boa Vista

Quantas histórias interessantes se ouve nos morros do Pacheco e Boa Vista! O primeiro, apesar de não ser dos mais famosos, reserva um mundo bem particular para quem se dispõe a subir as escadarias, observar o seu dia-a-dia e conversar com antigos moradores, invariavelmente apaixonados pelo lugar e ótimos contadores de "causos". 

Não dá para negar que esse morro de 183 casas e mais de dois mil moradores tem algo de especial. Basta saber que lá mora "seu" Antônio, que perpetua a velha tradição de se benzer crianças. Nada mais bonito do que vê-lo, aos 91 anos de idade, fazer toda aquela gesticulação, um tanto mística, e recitar as suas fórmulas litúrgicas!

Ele é um dos primeiros moradores do Pacheco e em outros tempos encantava todos com os balões de mais de 100 lanternas que confeccionava. Tão bom quanto as festas que organizava era acordar no meio da noite com uma serenata. Músicos não faltavam no Pacheco de outras décadas! Quem mora lá dificilmente troca o lugar por outro, apesar dos problemas de posse de terra, da falta de acesso para carros e da inexistência de áreas de lazer. 

O Boa Vista é bem menor que o Pacheco, tem apenas 90 moradores, e em outros tempos abrigou até tribos de indios. Índios mesmo, desses que fazem batucadas e dançam ao redor de fogueiras. Mas seu passado registra também diversos desbarrancamentos com vítimas: o perigo sempre espreita das encostas.

Passar um dia com os moradores desses dois morros é ouvir histórias que não acabam mais. Histórias contadas entre os sorrisos, gestos e entonações típicas de pessoas simples e acolhedoras, que fazem de tudo para agradar um visitante. Aos poucos, revelam o quanto amam o morro e que não o trocam por lugar algum no mundo. E como diz a letra de um samba cantado entre eles, "quem vive na Cidade/só pode ser igual/porque melhor não é". Vale a pena ler o que essa gente boa tem para contar.


Jabaquara

Quando se fala em Jabaquara, logo se pensa naquele canto lá pros fundos da Rua Rangel Pestana. Realmente, ali está concentrado o maior número de moradias, mas o bairro não se resume àquele trecho: faz divisa com o Marapé, chega até a altura do Túnel Rubens Ferreira Martins e abriga em seus limites a Santa Casa e o Estádio da Portuguesa, a popular Briosa.

Justo nessa área, conhecida no século XIX como Sítio Jabaquara, surgiu o maior quilombo de que se tem notícia na história do País. Não se sabe o número de negros que lá viveram, mas é certo que até escravos do Interior se submetiam a descer a serra a pé para viver no reduto do abolicionista Quintino de Lacerda.

Naquela época, foram os negros que se uniram para conquistar melhores condições de vida; hoje, quem se organiza para reivindicar são os moradores das perigosas encostas do morro. O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) já cansou de apontar os riscos a que muitas famílias estão expostas e, como a Prefeitura permanece indiferente aos alertas, o pessoal decidiu "cobrar" providências.

Pois é: as casas se multiplicaram nos lugares menos indicados e algo deve ser feito. De resto, em sua parte baixa, o Jabaquara continua sendo um bairro tipicamente residencial. Permanece com as mesmas feições de 30 ou 40 anos atrás e ainda não começou a ser importunado por construtores ávidos em espalhar seus edifícios.


Areia Branca

Dizem que em outros tempos a Areia Branca não fazia parte de Santos. Pertencia ao município vizinho, São Vicente, até que um dia alguém, não se sabe como e nem por quê, arrastou o marco divisório entre as duas cidades metros adiante. E, assim, aquela área caracterizada por montes de areia branca ficou incorporada ao patrimônio de Santos. Essa é apenas uma das histórias que se tem para contar desse bairro que, 20 anos após a chegada dos primeiros moradores, ainda não estava urbanizado. 

A verdade é que, nas décadas de 1950/60, a Areia Branca não passava de uma grande favela. As famílias simplesmente invadiram a área, na maioria das vezes com o respaldo de políticos caçadores de votos. Sem contar que o estado e a Prefeitura tiveram que permitir a ocupação quando da abertura da Via Anchieta (e conseqüentes expropriações na Alemoa) e da queda dos morros, em 1956. Conclusão: o lugar virou um emaranhado tão grande de barracos e picadas que a tentativa de urbanização se estendeu por anos. Os moradores não tinham luz ou água, ajudaram a abrir ruas e limparam muitas valas. 

Hoje em dia, superado o pior, eles se divertem recordando fatos passados. Imaginem o que fizeram certa vez: roubaram iluminação pública. Isso mesmo: esticaram fios a partir dos postes do Cemitério da Areia Branca e levaram eletricidade para suas casas. Logicamente, quando as autoridades descobriram, acabaram com a festa.

Nem a equipe da Prodesan conseguiu fazer o mapa de Areia Branca: se perdeu no emaranhado de ruas que caracteriza parte da área. Aquelas terras foram invadidas, ocupadas desordenadamente, e a tentativa de urbanizar espaço tão caótico se arrastou por anos. Há confusão também quanto aos limites de Areia Branca e, como o pessoal do Conjunto Costa e Silva se sente morador do bairro (embora esteja no Jardim Castelo), A Tribuna incluiu-o na reportagem.


Aparecida

Sabe-se lá qual o critério usado para se definir os limites de Aparecida. Fizeram a coisa de tal forma que o bairro abriga três mundos bem distintos. A suntuosidade da orla da praia nada tem em comum com o núcleo nas proximidades da Praça Senador Correa, que ainda mantém as características de reduto eminentemente operário que foi em outros tempos.

E, estabelecendo uma clara divisão entre o lado chique e o mais popular, há nada menos que quatro conjuntos habitacionais, onde se constataum modo de vida bem particular. Neles, prevalece a impressão de que as pessoas estão sufocadas entre tanto concreto e, o que é pior, as crianças não dispõem de áreas de lazer onde possam se espalhar. 

Os contrastes de Aparecida ficam mais evidentes quando se caminha pelas ruas onde os chalés resistem e a comunidade parece se constituir em uma grande família. Como em pequenas cidades do Interior, a igreja fica junto à praça mais bonita e merece todo o respeito dos moradores. Ninguém passa defronte dela sem se benzer, e isso vem desde o remoto ano de 1937, quando era apenas um barracão de madeira. O templo que se conhece hoje, com uma bonita imagem de Nossa Senhora Aparecida, foi inaugurado em 1938.

Há muita gente que se espanta quando descobre que Aparecida se estende até a orla da praia. Os próprios moradores desconhecem seus limites, poraque se trata de um bairro novo, criado sobre áreas que pertenceram ao Macuco, EMmbaré e Ponta da Praia. Nos últimos 10 anos, sua população pulou para quase 40 mil habitantes, devido principalmente à construção de dois conjuntos habitacionais: Castelo Branco e Martins Fontes.


Boqueirão

Ah, Boqueirão, bairro famoso como ele só! Imaginem: sua fama vem desde o século XIX, quando sequer levava esse nome. Tudo começou porque na altura da hoje Rua Osvaldo Cruz havia a única "saída grande" para a Barra: era o boqueirão ou abertura. E Boqueirão ficou.

Por causa dessa saída, para lá acorreram santistas e turistas, quando se descobriu que a praia é um ótimo lugar para a prática de lazer. Uma coisa acaba puxando outra, logo o bairro ganhou uma linha de transporte coletivo e uma casa de jogos e recreação - o Miramar -, bonita e bem instalada, capaz de fazer inveja a outras existentes no País e fora dele. 

Quando se configurou um novo conceito de bem morar e as famílias ricas começaram a transferir residência para a orla da praia, o Boqueirão atraiu muitas delas justamente por causa do Miramar. Daí para a frente, o bairro cresceu como ele só e, ironia do destino ou não, suas áreas valorizaram tanto a ponto de ser mais interessante destruir o tradicional Palácio Dourado (como era chamado o Miramar) e edificar prédios de apartamentos. 

Pois é, o Boqueirão mudou muito, perdeu áreas verdes e ganhou escolas, hospitais, escritórios e uma infinidade de casas comerciais. O movimento de carros e pessoas segue crescendo em suas ruas e avenidas, e os moradores formam um contingente de quase 40 mil pessoas.

Os moradores de outros bairros são obrigados a dar o braço a torcer: o Boqueirão é um dos melhores de Santos. Fora as enchentes que ocorrem quando a chuva cai muito forte, não registra grandes problemas. Pelo contrário, há a praia (poluída, mas ainda encantadora), comércio diversificado, hospitais, escolas e tudo mais que um lugar precisa para ser considerado auto-suficiente. E, se nos voltarmos para o passado, saberemos que o Boqueirão foi pioneiro no uso da praia para banhos e lazer.


Ilha das Neves e Diana

Em uma ilha de mata exuberante e muitos recantos pitorescos, um homem vive sozinho há 29 anos. A ilha é a das Neves, um morro encravado no Estuário de Santos, que marca a entrada do Rio Jurubatuba. O homem, Leonel Diogo Nunes, o Nelinho, 59 anos de idade, pele curtida e rosto estampando a tranquilidade de quem vive em contato com a natureza, livre do barulho e da violência do mundo civilizado. Nunca ficou doente e o único remédio que toma é "um aperitivozinho, um café, de vez em quando". No mais, sobrevive graças ao que existe à volta: os peixes, os frutos. Um dos seus maiores prazeres é levar o visitante para conhecer melhor o seu mundo: a cachoeira de águas claras, as casas que antigos moradores deixaram para trás, as seculares ruínas da Igreja de Nossa Senhora das Neves. 

Tão gostoso quanto caminhar sem pressa por esse lugar é passear na Ilha Diana, um núcleo de pescadores artesanais, escondido atrás de uma curva do Rio Diana, logo após a Base Aérea. Lá as 23 famílias vivem em total harmonia, pois seus membros são parentes ou mantêm relações de compadrio. Ninguém precisa trancar portas ou janelas à noite, tampouco sente falta de grande parte das melhorias reivindicadas pelas populações das cidades. A vida que se leva não poderia ser mais simples, e apenas as vitórias do Esporte Clube Diana quebram a rotina do dia-a-dia.


Bom Retiro

Os livros mais antigos falam em Morro das Palmeiras ou Morro da Boa Vista. Mas, popularmente, aquele morro encravado no Bom Retiro, junto às águas tranqüilas do Rio São Jorge, chama-se Morro do Ilhéu. Por mais de 30 anos morou lá um português, o Zé Ilhéu, que plantou cana, montou um alambique e fabricava dessas pingas boas, que o tornaram muito conhecido. Vai daí que o morro virou Morro do Ilhéu.

Mas, um belo dia chegaram os donos de tudo aquilo, sócios na Imobiliária Bom Retiro, com muitos novos planos. Corriam os últimos anos da década de 1950, e o que se tinha em mente era transformar aquela área pantanosa e cheia de braços de rio, pegadas ao morro, em um lugar habitável.

Resultado: Zé Ilhéu teve que ir embora, deixando tudo o que construíra para trás. E isso é algo que sua mulher, Maria Elói, hoje com 106 anos de idade, não esquece. Os tratores começaram a agir nas encostas do morro onde vivera no maior sossego, retirando a terra que aos poucos fez desaparecer o mangue. No final das contas, surge um novo bairro naquele canto esquecido da Zona Noroeste. 

Hoje, passados pouco mais de 20 anos do início da recuperação da área, o Bom Retiro abriga uma população de mais de três mil pessoas. Dispõe de melhorias que bairros mais antigos reivindicam e conserva uma bica onde nasce a melhor água de Santos.

Naqueles velhos tempos em que nem se pensava em ocupar a Zona Noroeste, um português, fugido da guerra, fixa-se no Morro das Palmeiras. É o primeiro morador do Bom Retiro de que se tem notícia. Ali viveu com a mulher, uma antiga escrava, hoje com 106 anos de idade, por mais de 30 anos. Até que um dia o sonho acabou: chegaram os donos da terra, com novos planos. E, enquanto o morro desaparece, surge um novo bairro.

 

Encruzilhada

É Encruzilhada no nome. E numa encruzilhada parece estar: conseguirá subsistir como um bairro residencial ou perderá esse caráter, sucumbindo diante do avanço da Vila Matias? Muita gente anda preocupada com essa vizinha, que cada dia se faz mais presente com suas oficinas, marcenarias, lojas que vendem peças de automóveis. O que poderá acontecer nos próximos anos? Os moradores serão expulsos pelo comércio?

Quase desabitada no começo do século XX, Encruzilhada viu-se tomada por chalés com o correr do tempo. Mas, esses chalés desapareceram e no lugar deles surgiram sobrados e edifícios. Dificilmente se encontra algum lote vago nesse bairro de quase quatro mil residências e mais de 18 mil habitantes.

As últimas grandes áreas livres - onde ficavam os campos do XV de Novembro e do Praia, dois populares representantes do futebol varzeano - foram ocupadas pelos 23 prédios do Conjunto Residencial Ana Costa.

Conclusão: tudo o que restou para o lazer da população são duas praças pequenas e mal conservadas - Almirante Tamandaré e Padre Champagnat. E, como não há uma sociedade de melhoramentos para reivindicar, a população convive com os problemas. As reclamações contra a má iluminação e a sujeira no terreno da Fepasa quase nunca passam das conversas na esquina ou das mesas de bares.

Muita gente nem sabe que em Santos há um lugar chamado Encruzilhada. Trata-se de um bairro novo, criado em 1968, mas desde o século XIX se conhece o núcleo por esse nome. Os chalés de outros tempos foram substituídos por prédios e sobrados e, agora, os moradores temem que o bairro perca a característica de residencial: a Vila Matias começa a invadir novas ruas com seu comércio diversificado.


Alemõa

Quem conheceu Alemoa de outros tempos, na certa se admira quando depara com aqueles enormes armazéns e tanques de estocagem de produtos químicos. Pouco restou daquele bairro, que era bem maior e abrigava em seus limites sítios, capinzais, granjas e chiqueiros. 

Em meados da década de 20, moravam na Alemoa umas 200 famílias: todos se conheciam, freqüentavam o saudoso Alemoa Futebol Clube e participavam de bailinhos nos fins de semana. Os vizinhos estavam sempre dispostos a ajudar uns aos outros, ninguém ficava esquecido em horas de apuro e não se temia roubos ou violências. Mas, tudo se acabou com a abertura da Via Anchieta, que expulsou a quase totalidade das famílias.

Trata-se de um dos maiores bairros de Santos, mas, por ser uma zona industrial, vivem lá pouco mais de 2.100 pessoas, a maioria concentrada no Jardim Piratininga, núcleo de 230 casas populares financiadas pelo BNH.

Os espaços verdes restantes desaparecem aos poucos para dar lugar a novas empresas e o já comum trânsito de caminhões pelas ruas só tende a aumentar. Enquanto cresce o número de bares onde motoristas e operários conversam e tomam pinga, aumenta a quantidade de homens, mulheres e crianças que diariamente reviram o lixão da Prodesan e catam restos para não morrer de fome.

Quem conheceu a Alemoa daqueles tempos se admira de vê-la crescer e se consolidar como um bairro industrial. No porto onde fundeavam barcos de pescadores, estão atracados navios carregados de produtos químicos e, nas ruas, o trânsito de caminhões é bem maior que o de pessoas ou automóveis.


Bufo, Montana e Santa Casa

Ninguém pode negar que existem lugares muito mais conhecidos em SDantos. Mas os morros do Bufo, Fontana e Santa Casa não ficam devendo nada a nenhum deles em termos de passado rico de histórias e dia-a-dia de muita luta. Escondidos entre o famoso Monte Serrate e o popular São Bento, começaram a ser ocupados entre o fim do século XIX e o início do século XX.

Não se sabe ao certo quais os limites de cada um e muita gente que mora nas imediações seqauer ouviu falar no Morro da Santa Casa. Ele existe oficialmente, mas abriga em suas encostas pouquíssimas casas e acaba formando um todo com aquele conjunto de morros, que padece de sérios problemas e só consegue melhorias depois de muito reivindicar e insistir. 

Em outros tempos, havia o lado bom das serenatas, dos bailinhos na casa do compadre ou da vizinha, mas o pessoal passou maus bocados devido à falta de luz elétrica e água encanada. 

E a luta daquela gente continua até hoje: a Prefeitura parece esquecer da existência desses morros, pois faz tempo que não assenta um único tijolo por lá. Os caminhos e escadarias estão esburacados e cheios de mato e o Poder Público não se interessa em providenciar o escoamento de águas pluviais e servidas. Devido à falta de coleta de lixo no alto do Bufo, os lixões proliferam e, junto com eles, os ratos. E a estrada continua sendo um grande sonho.


Caneleira

Há uns 30 anos, muita gente dizia que não queria um terreno na Caneleira nem de graça. Também, pudera: tirando a parte de ocupação mais antiga, entre o Caminho São Jorge e o morro, o bairro não passava de um lugarejo cheio de mato, cortado por braços de rio, com áreas de mangue. Enfim, sem nenhum atrativo, muito pelo contrário. 

Mas, enquanto alguns olhavam aquilo tudo com ar de desdém, outros resolveram aceitar o desafio e compraram lotes. Não desanimaram diante da falta de perspectiva, derrubaram mato, abriram caminhos, limparam valas, implantaram tubulações de água e enfrentaram tudo mais que foi preciso. 

Passados pouco mais de 25 anos, a Caneleira se destaca como um dos melhores bairros da Zona Noroeste. Um terreno vale entre Cr$ 3 e 7 milhões, e não se pode negar que a valorização da área se deve também ao fato de o Jabaquara AC, o velho Leão do Macuco, de muitas tradições, ter-se mudado para lá.

Mas ainda há muito o que se fazer pela Caneleira, principalmente pelo morro. Segundo o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), algumas casas encontram-se imediatamente abaixo de encostas instáveis e é preciso realizar obras para prevenir desbarrancamentos. A Prefeitura não se interessou em executar os serviços recomendados, e nem atende a outras antigas reivindicações, como a abertura de ruas, criação de áreas de lazer e a melhoria da iluminação pública.



Paquetá

Quando se fala em Paquetá, o pessoal logo lembra: "Lá tem a Boca, o cemitério...". Realmente, não existe nada mais famoso no Paquetá. O cemitério é conhecido não apenas por ser o mais antigo de Santos, mas porque lá estão sepultados muitos santistas ilustres. A Boca nem carece de apresentações: quem nunca esteve por lá, na cerca já ouviu falar sobre suas boates, seus shows de strip-teases, a mistura de nacionalidades, a força do dólar se fazendo presente.

Mas o Paquetá não se resume a isso. Revirando seu passado, a gente descobre que em outros tempos aquela área toda não passava de mangue, desses bem viscosos. Com a canalização de rios que cortavam Santos e a construção do cais, que acabou com as constantes vasas de marés, o lugar tornou-se perfeitamente aproveitável. Famílias ricas transferiram residência para lá e formou-se um núcleo bem estável. 

Santos continuou crescendo, ampliando seus limites e as famílias tradicionais partiram para os bairros na orla da praia. Muitas das casas do Paquetá, que pertenceram à aristocracia, foram demolidas para dar lugar a indústrias e armazéns. As que restaram, transformaram-se em hotéis ou habitações coletivas. O bairro tem mais de quatro mil moradores e está completamente abandonado. Não há creches e as crianças brincam na rua por falta de áreas de lazer.


São Manoel

O Jardim São Manoel só é jardim no nome mesmo. Os jardins que existem por lá não passam dos limites dos quintais, porque no que se refere a áreas públicas o bairro surge como um exemplo evidente de abandono. Para se ter uma idéia, as ruas não são asfaltadas e ostentam malcheirosas valas nos cantos. Quando chove, essas valas transbordam, o esgoto invade quintais e ajuda a formar os lamaçais que se formam nas vias.

Cansados de pedir providências à Prefeitura e ouvirem nada além de promessas em troca, os moradores se encarregam de limpar valas, instalar tubulações de drenagem e executar outros pequenos serviços que possam diminuir os problemas do dia-a-dia. Todas as praças estão cheias de mato, e nelas insetos, cobras e ratos proliferam à vontade. Nao há creches ou áreas de lazer e os moradores reclamam da falta de policiamento. 

Enquanto procuram suportar tanta carência, as famílias relembram que o prefeito Paulo Gomes Barbosa esteve no São Manoel a 28 de junho do ano passado e declarou que tudo faria para atender as reivindicações. Nessa data, Barbosa participou da festa de inauguração de uma comporta no dique, feita mediante convênio entre a Prefeitura e o DNOS. A obra serve para impedir enchentes e representa o que de melhor o bairro recebeu do Poder Público em quase 30 anos de existência.


Estuário

As pessoas que são como São Tomé, só acreditam vendo, podem olhar o mapa para confirmar: a Bacia do Macuco e as Casas Populares do Macuco não pertencem mais ao bairro que lhes deu o nome. Desde 1968, quando se definiu o novo abairramento, elas passaram a fazer parte do Estuário, que surgiu do retalhamento do Macuco e têm seus limites dados pelas avenidas Siqueira Campos, Portuária e Afonso Pena.

Destaca-se como um dos maiores bairros de Santos e, como uma conseqüência natural, apresenta grande diversidade em termos de ocupação. Caminhando por suas ruas, a gente depara com chalés quase centenários, boas casas de alvenaria, prédios altos e baixos, sem contar o comércio diversificado traduzido em farmácias, padarias, bares, açougues, bazares e mercearias. Até alfaiatarias e lojas de conserto de calçados existem por lá.

Novos pátios de contêineres surgem a cada dia e, com eles, chegam os caminhões que quebram calçadas e galhos de árvores e fazem trepidar as casas. Os problemas do lugar vão desde os mais simples e comuns, como ruas esburacadas e cheias de lama, e assumem proporções bem mais sérias quando se pensa nas favelinhas da Avenida Portuária e nos conflitos pela posse da terra que envolvem dezenas de famílias da antiga Avenida Santista e do antigo Caminho Particular da Bacia. 

E é no Estuário que mora dona Teresa, uma senhora de 97 anos de idade, que tem 61 bisnetos e seis tataranetos.

Tem gente que ainda chama aquela região no final do Canal 6 de Pau-Grande. Isso é uma herança do tempo em que ali havia o imenso tronco de uma figueira. Só que o Pau-Grande ficava no Macuco e passou a fazer parte do Estuário quando aquele bairro perdeu terras para formar outros. Nessa reportagem, vamos conhecer um pouco do que foi e é o Estuário, ler histórias contadas pela quase centenária Dona Teresa e saber sobre a vida dos pescadores da Bacia.


Santa Maria

O pessoal do Jardim Santa Maria sofreu um bocado no passado. Quando a chuva insistia em cair forte, a água subia mais de um metro de altura, invadia casas e deixava todo mundo desesperado. Cada um tratava de pôr sua família em lugar seguro e saía para socorrer as demais. Quantas e quantas vezes seu Manoel Maria não percorreu aquilo tudo de barco para salvar mulheres e crianças? 

Ainda na década de 60, cenas como essa eram comuns, mas mesmo assim o lugar crescia. Caminhando-se por lá naquela época, só se via morador jogando aterro e limpando valas, porque a Prefeitura nunca se lembrava de lá. 

Graças a essa gente que não desistiu de morar no Santa Maria, mesmo diante de tantas situações adversas, o bairro se firmou e se destaca como um dos melhores da Zona Noroeste. Todas as ruas são asfaltadas e casas boas muito comuns. Não há mais do que oito lotes vagos e cada um deles não custa menos de Cr$ 3 milhões.

Mas o Santa Maria precisa de áreas de lazer e pede que a Prefeitura pelo menos faça a manutenção do único parquinho existente, na Praça Maria Coelho Lopes. O serviço de varrição só é executado de ano em ano e a construção de mais uma passagem sobre o Canal de São Jorge continua sendo um velho sonho.


José Menino

Tudo começou com um grande sítio. Nem mais, nem menos. Era um sítio de um homem grandalhão e forte, que recebeu a alcunha de José Menino por pura gozação. Pois, não é que o lugar virou um bairro e acabou batizado justamente com o apelido do sitiante?

E, embora a parte de morro tenha levado o mesmo nome, pelo que se sabe quem desbravou aquilo tudo foi Joaquim Fraga, dono de terras no ponto mais alto desse lugar que se destaca como o ponto mais alto de Santos. Naquela época em que viveu por lá, dava para se contar as moradias existentes em baixo.

Aos poucos surgiram casas, pensões, bares e, a partir da década de 1950, ninguém mais segurou o crescimento: os arranha-céus se multiplicaram, como um claro indício daquilo que se convencionou chamar de progresso. Hoje são 15 mil habitantes, a maioria satisfeita porque se trata de um bairro bom para se morar.

Os problemas apontados pela sociedade de melhoramentos dependem apenas de um mínimo de boa vontade dos órgãos competentes para serem solucionados. Nada além de reforma da grade do parquinho de diversão da praia, abrigos de ônibus, melhor policiamento e outras coisinhas do tipo. As questões mais sérias estão concentradas no morro, onde famílias ocuparam encostas perigosas por falta de opção.

Histórias de fantasmas, traquinagens de moleques e toda a vidinha daquela gente que morava no morro e no bairro do José Menino vão surgindo no relato de Fernando Fraga, um contador de causos como poucos. Ele nos conta muita coisa sobre o passado desse lugar, que hoje tem 15 mil habitantes, muitos edifícios e pensões. É o bairro onde ficam dois grandes clubes - o Caiçara e o dos Ingleses -, Asilo dos Inválidos e faculdades da São Leopoldo. Há a Igreja da Pompéia, mas muitos preferem fazer devoções junto à imagem de Nossa Senhora de Lourdes, na encosta do morro, perto de onde anos atrás se abriu um túnel para passarem os trens. E é morro acima que se acumulam problemas muito sérios: lá vive uma população carente, esquecida pela Prefeitura, que não executa obras, nem mesmo aquelas para garantir a segurança dos moradores.


Rádio Clube

O Jardim Rádio Clube não é um bairro grande e nem cheio de edifícios, mas tem pelo menos uns 26 mil moradores. Fica fácil explicar o fenômeno: lá está situada a maior favela de Santos. São 20 mil pessoas e mais cabras, porcos, germes e bacilos compartilhando o mesmo mangue malcheiroso. Os barracos se aglomeram por mais de quatro quilômetros de extensão, equilibrados sobre pedaços de pau.

Se há alguns trechos melhores, onde o mangue desapareceu, isso se deve ao sacrifício daquela gente, que jogou aterro para se livrar da água podre que causa doenças. Agora, muitos andam revoltados: um elemento que se diz representante da família Alberto de Luca, antiga proprietária da área  que formou o Rádio Clube, procurou moradores para lhes dizer que os terrenos onde moram têm dono. Aqueles homens e mulheres não se conformam: transformaram lodo em terra fértil; e, de repente, aparece um proprietário. 

Mas a favela de Vila Gilda é apenas um dos focos de problemas do Jardim Rádio Clube, um lugar sem nenhuma infra-estrutura, com valas de esgoto correndo a céu aberto e ruas tomadas por lama. Já houve caso de morador que ficou 15 dias sem poder sair com o carro devido aos lamaçais, comuns em quase todas as vias. O pessoal já cansou de pedir providências, mas a Prefeitura nunca ouve os apelos. Esqueceu-se desse bairro onde os moradores pagam normalmente os impostos e têm seus direitos.


Valongo

Quem vê o Valongo de agora, tão encardido e decadente, na certa não imagina que o bairro foi em outros tempos o mais próspero de Santos. O tradicional Porto do Bispo, que ficava onde é hoje o Largo Marquês de Monte Alegre, concentrava boa parte do movimento de carga e descarga de mercadorias dessa Santos que já figurava como um destacado centro comercial. No começo do século XX, a estreita Rua São Bento vivia congestionada por carroças puxadas a burro e pelas suas calçadas desfilava a elite cultural e administrativa.

Mas como as coisas mudaram! Aos poucos, o Valongo sofreu um esvaziamento financeiro e econômico. As famílias ricas partiram para os bairros mais distantes do cais e o comércio está mais decadente a cada dia que passa. Apenas a Farmácia São Bento, do popular seu Clóvis, ganhou novas instalações: deixou o prédio onde se lia pharmácia e funciona em outro bem mais amplo, na esquina da Rua São Bento com a Avenida Visconde de São Leopoldo.

Famílias muito carentes dividem os tradicionais sobradinhos, hoje tristes e deteriorados, e as crianças só deparam à sua volta com imagens que lembram abandono e falta de perspectivas. Não dispõem nem mesmo de um campinho ou parque para brincar, embora pudessem ser feitos em algum daqueles amplos terrenos abandonados pela Eletropaulo.

O célebre quadro de Benedito Calixto, mostrando barcos ancorados próximo à Igreja do Valongo, está aí para provar: antigamente, no hoje Largo Marquês de Monte Alegre, passava o ribeiro de São Bento, que desaguava no mar e formava o Porto do Bispo. E foi justamente esse porto que contribuiu para que o Valongo se tornasse um próspero núcleo comercial, muito procurado por famílias ricas. Hoje, o bairro está abandonado, sujo e esquecido. Virou depósito de produtos químicos e padece sob o peso de caminhões, que passam sacudindo tudo e deteriorando conjuntos arquitetônicos importantíssimos, como aquele formado pela Igreja do Valongo e Capela da Venerável Ordem 3ª de São Francisco da Penitência.


Morro e Vila São Bento

Uma casa com paredes feitas de telhas francesas, o mosteiro altivo e até mesmo o popular vendedor de jacas servem como referência para se saber que aquele amontoado de casas espalhadas ao redor formam a Vila e o Morro de São Bento. São lugares tradicionais de Santos e faziam parte da sesmaria entregue por Brás Cubas aos cuidados de mestre Bartolomeu, ferreiro da armada colonizadora.

Aos poucos, ele formou o Sítio do Desterro, que mais tarde foi doado aos beneditinos para a construção de seu mosteiro. Mas a ocupação propriamente dita das encostas começou no século XIX, não se sabe exatamente quando.

O que se sabe com certeza é que de lá para cá houve um crescimento cada vez maior do número de moradores. Desapareceram os sítios e os famosos engenhos, muito procurados pelos apreciadores de uma branquinha, e casas surgiram por tudo quanto é lado, até em locais impróprios, comprometendo todo um equilíbrio. 

A Prefeitura não realiza obras para prevenir acidentes e, por isso, volta e meia acontecem deslizamentos, que sempre deixam um saldo de muitos desabrigados. Mas tem gente que não deixa o morro por nada. É o caso do seu Luís, que está decidido a mudar do Largo do Machado para o ponto mais alto, para o chamado Cruzeiro, pertinho das caixas de água da Sabesp. De lá, pode apreciar Santos quase inteira, sob um ângulo que poucos conhecem.


Jardim Castelo

A criança preocupada em limpar o bueiro sujo é uma vítima a mais das enchentes que acontecem com muita freqüência no Jardim Castelo. A cada chuva mais forte, moradores de diversas ruas têm suas casas invadidas pelas águas, que insistem em subir carregando junto o esgoto acumulado nas valas. 

É geral o estado de abandono desse bairro, que começou a receber os primeiros moradores há uns 30 anos. Nessa época, nem se chamava Jardim Castelo e não passava de um imenso mangue, com siri, caranguejos e corujas piando nas árvores. As coisas começaram a melhorar quando a Cohab construiu por aqueles lados seu primeiro conjunto habitacional: as unidades foram entregues em 1966 e para elas se transferiram famílias da vizinha Areia Branca, que nessa época estava sendo desfavelada.

O núcleo popular foi batizado de Jardim Castelo e, em 1968, com a reorganização do espaço urbano de Santos, o nome passou a designar um novo bairro da Zona Noroeste. Dessa época para cá, o Jardim Castelo só fez crescer, e hoje sua população chega a 10 mil habitantes. 

Mas, mesmo com tanta gente morando lá, o lugar permanece muito esquecido pela Prefeitura: além do crônico problema das enchentes, o Castelo não tem nenhuma praça urbanizada e seu único parquinho de diversões virou um monte de ferro-velho. O bairro abriga ainda o Conjunto Dale Coutinho, com seus 75 prédios encardidos, muito mato e lama ao redor.


Vila Matias

Quando chega alguém de fora perguntando onde fica a Vila Matias, o santista logo vai dizendo: e ali para os lados da garagem da CSTC e do Colégio Cesário Bastos. Mas esses dois tradicionais pontos de referência não ficam no bairro. Desde 1968, quando foi instituído o novo abairramento de Santos, ambos passaram a fazer parte do Monte Serrate, um bairro bem pequenino que inclui o morro e as ruas imediatamente ao seu redor.

Além disso, a Vila Matias não é apenas um bairro tipicamente comercial, como muita gente pensa. Embora não se possa negar a importância de seu comércio, que a cada dia se fortalece, o núcleo apresenta um lado bem residencial e uma parte bastante decadente, para os lados do porto, onde sobradinhos bonitos e imponentes, construídos no início do século, se transformaram em habitações coletivas. 

Em outras palavras, áreas da Vila Matias enfrentam um processo de degradação tão acentuado quanto aquele que se verifica no Centro, no Valongo e na Vila Nova. Por ser um bairro grande, a Vila tem de tudo um pouco e reúne em seus limites vistosos templos de diferentes religiões, fábricas, sindicatos e, ainda por cima, abriga o Teatro Municipal, o Centro de Saúde Martins Fontes e o Instituto Adolfo Lutz. É sede também de agremiações tradicionais como o Oswaldo Cruz AC e o EC Senador Feijó e o famoso Recanto do Saraiva.


Centro

A Catedral, o Fòrum, as praças e seus vistosos monumentos representam apenas um pouquinho do Centro. O lugar sempre teve uma importância muito grande: basta saber que, na área conhecida por Centro, se instalaram os primeiros povoadores e formou-se o núcleo que deu origem a Santos. 

Em outros tempos, tudo ficava concentrado no Centro: as casas comerciais, as residências de ricos e de trabalhadores, os edifícios públicos e os templos. E, como não poderia deixar de ser, tudo acontecia em seus limites: manifestações cívicas, atos religiosos e protestos. 

Pelas ruas XV de Novembro, do Comércio, João Pessoa, Xavier da Silveira e outras das imediações se espalhavam imponentes construções, vistosos e equilibrados sobradinhos. Muitos deles vieram abaixo em nome do progresso, mas o que restou ainda compõe um conjunto arquitetônico de rara beleza.

Mas, infelizmente, as autoridades ligadas ao patrimônio histórico não se interessam pela preservação do que sobrou, embora gente ligada à arte, como o cartunista Ziraldo, tenha declarado não existir nada semelhante no Brasil.

O Centro anda esquecido e abandonado, apesar de concentrar milhares de pessoas diariamente. Pessoas que trabalham nos inúmeros escritórios, bancos ou casas comerciais, ou buscam os produtos, mercadorias ou serviços oferecidos por eles.


Monte Cabrão

O vento sempre sopra gostoso, revirando folhas e roupas estendidas nos varais. Essa brisa é uma das características de Monte Cabrão, um lugarejo entre as áugas do Canal de Bertioga e as encostas praticamente intocadas de um morro.

O núcleo faz parte de Santos, mas leva uma vida completamente diferente daquela do Município-sede. O comércio se resume a alguns barzinhos, não há mais do que 15 casas, um estaleiro e garagens para barcos. Além disso, só mesmo ar puro, tranqüilidade, pássaros e borboletas colorindo ainda mais as copas das enormes árvores. De água encanada, ninguém precisa: existem várias nascentes que fornecem água geladinha, transparente e leve.

Monte Cabrão pode ser atingido pela Estrada Piaçagüera-Guarujá e fica a uns 45 minutos do Centro. A historiadora Wilma Teresinha de Andrade esteve lá em 1982 e se entusiasmou com as possibilidades turísticas do lugar. Enfatizou, na época, que - com uma boa infra-estrutura - o vilarejo poderia se transformar em um excelente ponto de lazer.

Na realidade, muitos turistas, principalmente paulistanos, já descobriram as belezas de Monte Cabrão e, nos fins de semana, se espalham por todos os cantos, desfrutando do sossego e da hospitalidade daquela gente simples.

Ali, cerca de 100 pessoas vivem quase esquecidas do mundo. Poucos santistas sabem da existência de Monte Cabrão, e muito menos que pertence a Santos. Mas o lugar é habitado há muitos anos e, em outros tempos, se distinguia como mais um núcleo de pescadores artesanais do nosso litoral. Hoje em dia, embora já exista a estrada Piaçagüera-Guarujá ligando o lugarejo à chamada civilização, o número de moradores diminuiu: as águas não oferecem mais peixes como antigamente e poucos conseguem sobreviver da pesca. Tanto que restaram apenas cinco pescadores. Os demais chefes de família preferiram trocar a rotina de água, sal e sol por um salário no final do mês. 

Muitos partiram e os que ficaram é porque apreciam o sossego ou não poderiam possuir um cantinho seu em outro lugar. Lá, apesar de não haver farmácia, posto médico e telefone público, todos moram em casas próprias. Só que são obrigados a pagar aluguel, pelos terrenos que ocupam há muitos e muitos anos. Monte Cabrão - imaginem só - tem um dono.


Caibura e Caruara

Banhar-se em cachoeiras ou lagos de águas cristalinas, pescar e observar a diversidade da fauna e da flora são algumas das opções que se apresentam para os visitantes de Caruara. O núcleo fica às margens do Canal de Bertioga e é mais movimentado que Caiubura, o lugarejo vizinho. Umas 100 famílias vivem lá - a maioria de aposentados e caseiros -, em meio a um sossego que só se altera nos fins de semana, com a chegada de turistas. 

Um número cada vez maior de pessoas procura o lugar, as terras sofrem uma valorização crescente e já se fala em progresso. Progresso que poderá resultar na derrubada das matas, aterro de córregos e extinção de espécies animais e vegetais raras.


Itabatinga

mundo apresenta dessas contradições: regiões que foram habitadas há muitos séculos e que, pela lógica, deveriam evoluir em termos de ocupação, se encontram quase vazias e em completo esquecimento. Isso acontece no Vale do Rio Diana, onde ruínas comprovam a presença do homem por lá, possivelmente no início da colonização.

Mas a história desse período se perdeu no tempo. Sabe-se apenas que, há uns 10, 15 anos o Vale se destacava por produzir toneladas de banana para exportação. Hoje, porém, os sítios que o integram estão pouco cultivados e cuidados. Entre eles, deve-se destacar o Sítio Itabatatinga, onde restam vestígios de construção milenar e um tradicional alambique, do tipo cebolinha.

No passado, a propriedade se estendia por 20 alqueires, mas atualmente se resume a nove. Com a divisão das terras, deixaram de fazer parte de seus limites dois pontos bastante pitorescos: a Fonte dos Amores e a Gruta Esteves.


Quilombo


Espécies raras da mata atlântica, árvores frutíferas, animais de vários tipos e tamanhos, rios de águas cristalinas e ruínas históricas. Tudo isso está reunido no Vale do Quilombo, uma área de 20 quilômetros quadrados, onde a Prefeitura pretende instalar o Distrito Industrial de Santos. Para alguns, a implantação de indústrias em meio àquele santuário ecológico fatalmente determinará o fim de uma das últimas e mais ricas reservas florestais do Estado.

Os ecologistas consideram o projeto do Município simplesmente abominável e acham que oferece riscos incalculáveis para o eqüilíbrio da natureza, podendo até mesmo ameaçar a própria sobrevivência do homem na região. Acreditam que, em pouco tempo, o Quilombo poderá se transformar em um novo Vale da Morte, ponto de concentração de poluentes mortíferos, favelas e miséria. Não deixam de fazer outro alerta: até mesmo a poluição emanada pelas indústrias de Cubatão, se não for controlada, provocará a degeneração daquela exuberante área quase virgem.

Em contrapartida, não falta quem considere a implantação do Distrito Industrial como a única saída para o caos econômico, a redenção desta Santos sempre dependente do porto. Enquanto se desenrola toda essa polêmica, as poucas famílias residentes no Vale do Quilombo continuam levando uma vida tranqüila e de muito trabalho, cultivando aquela terra que tudo dá.


Bertioga


A secular Bertioga conserva-se bonita. Mass ninguém pode negar que as coisas andam mudando muito depressa por lá. A população já chega a 10 mil moradores e a quase totalidade dos 360 quilômetros quadrados está prestes a ser retalhada em lotes. Os terrenos sofreram valorização espantosa, principalmente depois da abertura da Estrada Mogi-Bertioga, e um, bem localizado, pode custar Cr$ 10 milhões. 

Com essa rodovia, o Governo colocou Bertioga à disposição de todo o Vale do Paraíba, mas não adotou providências elementares, como instalar redes de saneamento básico para evitar a poluição das praias. Água encanada só existe na Vila e os carros ainda circulam na orla marítima por falta de opção. E os turistas chegam, em número cada vez maior!

Quem mais se espanta com as mudanças são os antigos moradores, que reclamam da falta de sossego. Bertioga até perdeu a característica de reduto de pescadores artesanais: são coisas do passado as proezas de pescadores como o Aristides, que seguia mar adentro em pé na canoa, ou cenas como a formação de uma roda para distribuição do peixe entre homens, mulheres e crianças que ajudaram a puxar a rede. Felizmente, ainda se conservam velhas tradições, como iluminar a Ermida de Santo Antônio do Guaibê e realizar a Festa do Divino, em junho, bem como promover a chamada Folia dos Reis, em dezembro.

Nos dias de semana, prevalece a calma de pequenas vilas. A movimentação maior é sempre na Avenida Vicente de Carvalho, que se estende ao longo do canal e de onde se contempla pescadores às voltas com barcos, redes e gelo. Em junho, um grupo de violeiros sai em procissão para homenagear Santo Antônio. É a Festa do Divino ganhando as ruas. Em dezembro, cantadores saem de porta em porta, não deixando passar esquecida a Festa de Reis. Tudo sob o comando de seu Antônio, zelador do Forte São João e amigo das tradições. Isso é Bertioga. Como é também a falta de drenagem e de redes sde esgoto, o transporte e o policiamento precários. O lugar cresce, vive um processo de mudanças. O que acontecerá com Bertioga?

 


Vila Itatinga

A pequena Vila Itatinga parece ser coisa de conto de fada: possui uma única rua, bem larga, ladeada por jardins, ao longo da qual estão dispostas as cassa, todas da mesma cor. Não bastasse essaa característica tão peculiar, ela se encontra no sopé da Serra do Mar, escondida atrás de encostas verdejantes que fazem parte do Distrito de Bertioga, a sete quilômetros do Rio Itapanhaú. 

Surgiu no começo do século, em função da hidrelétrica que gera energia para o porto e, apesar de tão isolada do mundo, dispõe de escola, padaria, armazém e posto médico - e até uma igrejinha, sem contar o pitoresco bondinho, importante meio de transporte -, melhorias que muitos bairros bem localizados de Santos cansam de reivindicar sem nenhum sucesso.

Nessa vila solitária, no sopé da serra, vivem 70 famílias. Os cerca de 300 moradores não sabem o que significam assaltos ou cenas de violência. Para se chegar até lá, conhecer sua gente simples e admirar a beleza de suas cachoeiras, é preciso autorização da Codesp, que mantém as instalações da hidrelétrica.

 

fonte:

Novo Milênio: http://www.novomilenio.inf.br
Wikipédia/ url:http://pt.wikipedia.org/wiki/Santos#Bairros url:http://pt.wikipedia.org/wiki/Monte_Serrat_(Santos)

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